Tuesday, July 27, 2010

A dor...

- Oi! Tudo bom?
- Tudo, e contigo?
- Tudo tranqüilo... Olha, eu queria te dizer uma coisa.
- Fala!
- É que é meio difícil falar. Tenho a impressão que toda vez que falo, fico sozinha.
- Como assim?
- Sei lá! É a sensação que me dá, falar. Vou tentar explicar: eu fico aqui, no meu mundinho. Ninguém tem acesso a ele, certo?
- Certo! Mas não entendo.
- O que eu falo, ou de alguma maneira passo pras outras pessoas, seria aquilo que se passa aqui dentro.
- Hum
- Mas, ao chegar na outra pessoa, aquilo já deixou de ser o que eu queria que fosse. É como a oxidação: saiu daqui, oxidou.
- Tá.
- Quando a outra pessoa recebe este pacote oxidado, aquilo, o que quer que seja, entrou no mundinho da outra pessoa e, por isso, começou a interagir com aquele outro meio-ambiente.
- E?
- E que já não posso mais ser considerada responsável pelo pacote. Saiu da concessionária, perdeu a garantia!
- ?
- Não dá nada. A maioria das coisas que eu falo, falo pra mim mesma. Mesmo que pareça que é com alguém aí fora que falo... Isto deve ser o tal cada homem é uma ilha, que circula por aí.
- Não fala mais, então!
- Não dá. Mesmo que eu não saiba o que dizer, preciso falar... Mesmo que eu pense muito, não sei porquê, quando sai, sai estranho, sem ser o que eu quis dizer. Mas, ainda assim, preciso falar.
- Viver em silêncio... É, acho que não dá.
- Viver em silêncio seria como amar mais...
- Agora te perdi de vez! Não tô entendendo...
- É que a nossa relação com as palavras é uma relação de traição.
- Fale mais sobre isso...
- !!!! Pra me atrapalhar ainda mais?
- Não! Porque se a gente parar de falar, a gente para de se relacionar. E eu me pergunto se é melhor não errar com as palavras – não trair nem ser traído – do que seguir o caminho sozinho...
- Mas a gente devia conseguir se expressar direito, sem erro. Só isso.
- É a vida, e ela é difícil. A gente pensa, a gente fala, a gente se expressa, a gente se desentende, se entende, etc.
- Devia ser fácil. Devia só ser bela e fácil, sem complicação. A gente tem que renunciar a algo para falar, esse é o problema.
- Renunciar?
- É. Quase como renunciar à vida. Falar é como morrer, ou passar por um luto importante, forte, dolorido. É como se fosse preciso se desapegar. Deixar ir... Mesmo nesse eterno vai e vem entre o silêncio e a fala, falar tá sempre com a gente, no pensamento.
- Isso me fez lembrar aquela música que fala das palavras que nunca são ditas, como se elas fossem especiais, mais verdadeiras e corretas, sem esses erros e mentiras de que tu fala.
- Eu não falei em mentiras.
- Mas falou em mal-entendidos. Isso soa a mentiras.
- O que me preocupa é que as pessoas se machucam, se ofendem, se torturam, por causa das palavras. As palavras parecem ser mais fortes que a verdade do que se sente.
- Mas, por outro lado, se esse desentendimento for superado, se chega à verdade. Se é que ela existe. Todo esse papo, aconteceu alguma coisa.
- É.
- Não quer falar.
- Não.

Sunday, June 27, 2010

Adbusters

“The only revolution that might work is a consumer revolution. We stop buying products produced by slave labour and stop working for companies that enslave us.”


Adbusters

Minha mais nova paixão...

Dany-Robert Dufour.
Vai entender!

Sunday, February 21, 2010

8h47 da manhã de um domingo…

Estava eu bem feliz e obviamente dormindo neste domingo quando o telefone começou a tocar insistentemente às 8h47 da manhã. Não suportando o barulho e preocupada com a já comentada insistência, resolvi levantar. Era uma ligação para a minha amiga, com quem divido o apartamento. O estranho é que ela nunca dá esse número pra ninguém e tal. Continuando a conversa ao telefone, informo a ligante que ela está dormindo. A pessoa então me pergunta o que sou da minha amiga, digo amiga e ela pede para confirmar o endereço referente a uma compra que ela havia realizado ontem (sábado à noite) no Submarino!

Meu Deus!!!! As pessoas não têm mais educação? A pobre da moça que trabalha, ou melhor, que é explorada até domingo de manhã já perdeu tão completamente a noção de que domingo é um dia sagrado e não se liga pra casa das pessoas antes do meio dia! E é assim hoje em dia, educação é frescura. As pessoas ligam a qualquer hora. Eu fui ensinada, numa época em que ainda se ensinava bons modos, a não ligar antes das 10h e nem depois das 22h. Eu acho que os negócios deveriam ser os primeiro a primar por isto. Agora, por exemplo, estou tão indignada que nunca vou comprar no Submarino. Tb já fiz esta promessa sobre as Americanas.com porque eles não marcam horário para entrega – agem como se nós pudéssimos passar o dia à disposição da entrega deles. E a empresa de logística que eles usam é burra: vieram sempre no mesmo horário! Sequer tentaram variar os períodos (o que teria funcionado). Mas isso não é prova de má educação, eu sei. Tenho outra, então. No supermercado onde compro (única e exclusivamente por ser perto da minha casa), o Zaffari, os mocinhos que recolhem carrinhos e empacotam andam correndo pelos corredores com sua fila de carrinhos e se não tomarmos cuidado, podemos ser atropelados. E freqüentemente eu tenho que parar pra eles passarem, como se eles fossem o motivo do super estar aberto. (Escrevendo isto me dei conta do tanto que eu entrei nesta lógica do negócio vs cliente: o cliente sempre tem razão. Eu achava que nós deveríamos ser regidos por uma ‘lei superior’, uma lei que regesse o bem estar da sociedade como um todo, sem essas diferenças mesquinhas de quem tem dinheiro e de quem recebe aquele dinheiro… Bom, pra me redimir, sempre que isto acontece lá, no super, eu penso pacientemente: eles estão trabalhando!).

Eu tenho um amiguinho neném que falou uma coisa muita acertada: a politesse é uma máscara. E é mesmo. Nós passamos a vida usando máscaras pra vivermos em sociedade. O engraçado é que essa as pessoas vêm se recusando a usar esta. Acho que ficou demodé…

Monday, February 15, 2010

Pena que é a dos EEUU!!!!

Devia ser a da França!
Notícia

Sacolas plásticas de supermercado

Tenho algumas dúvidas e alguns questionamentos sobre este assunto.

Se os supermercados pararem de fornecer sacolas plásticas, eles vão economizar muito e, conseqüentemente, lucrar mais.

Se os consumidores não receberem sacolas plásticas eles vão ter que comprar porque, afinal, eles precisam acondicionar o lixo em algum lugar. Eles vão gastar mais (e muitos não podem fazer isso pois mal têm pra viver).

Se os consumidores precisam usar sacolas plásticas para acondicionar o lixo, tanto faz que venha do supermercado ou comprada, ainda será sacola plástica e ainda poluirá o meio ambiente. (E a comprada tem o agravante de ser mais grossa e, portanto, ter ainda mais plástico na sua composição!)

Trocando em miúdos: essas campanhas só servem para poluir ainda mais o meio ambiente e aumentar o lucro dos empresários.

Saudade...

Ouço repetidamente que a palavra mais bonita em português é saudade. Uma das explicações dadas é que essa palavra não existe em outras línguas.

Bom, pra mim saudade é coisa de português. A beleza desta palavra foi inventada por eles e as pessoas cegamente repetem, sem pensar.

Eles são nostálgicos, têm saudades dos tempos que eles eram os imperadores, que conquistaram o mundo. E por mais que não exista esta palavra especificamente em outras línguas, a idéia contida nela – e qualquer tradutor sabe disto – é absolutamente expressável em qualquer outra língua! Ora, desde quando só quem fala português sente falta de alguma coisa?!?

Por outro lado – e aqui, sim, temos uma palavra bem nossa, que nos expressa e que eu não conheço tradução (aliás, se alguém souber, por favor me avise!) – temos madrugada. Isto mesmo! Uma palavra muito pouco valorizada pelos falantes de português e que, no entanto, é linda e só nossa: madrugada.

Quanta poesia há em madrugada…